“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”: Santuário do Rocio abre as portas para a Vigília pelos Mortos de AIDS em 2026

Há 46 anos, o mundo aprendeu, da forma mais dura, o que significa conviver com uma epidemia que matava corpos e silenciava histórias. Há 23 anos, a Pastoral da AIDS de Paranaguá escolheu não silenciar. E neste ano, o Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio, reconhecido como Santuário Acolhedor, abriu suas portas para a Vigília pelos Mortos de AIDS, sob o tema que resume tudo: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”.

Uma vigília que é ato espiritual e humano

Reunir-se em oração pelos que partiram não é apenas um gesto litúrgico. É, antes de tudo, um ato de resistência afetiva. Ao nomear os ausentes, ao acender luzes por quem partiu lutando para que outros não fossem infectados pelo vírus HIV, a comunidade cria um elo que o preconceito tentou romper e, ainda, não conseguiu.

A reflexão que move a Pastoral da AIDS de Paranaguá vai além do vírus em si. A morte civil provocada pela exclusão, pelo abandono e pela discriminação tem ceifado mais vidas do que a própria infecção. Pessoas afastadas do convívio social, impedidas de aderir ao tratamento, privadas do exercício pleno da cidadania, não por limitação biológica, mas pela crueldade do julgamento alheio.

“Refletimos sobre o quanto o preconceito e a discriminação afastaram essas pessoas do convívio social, da adesão ao tratamento, da busca do direito à cidadania. É nesta reflexão que chegamos à conclusão de que a morte civil provocada pela exclusão tem matado mais que o próprio vírus.” — Pastoral da AIDS de Paranaguá

Acolher como o Bom Samaritano: a missão que não negocia

O fundamento da Pastoral da AIDS em Paranaguá não é a pena. É o reconhecimento. Cada pessoa que vive ou convive com o vírus HIV é vista como criatura perfeita, criada por Deus e tratada com a dignidade que essa condição exige, sem julgamentos, sem contrapartidas, sem hierarquias de merecimento.

A referência ao Bom Samaritano não é acidental. Ela define uma postura: aproximar-se de quem foi deixado à margem, oferecer presença concreta e criar, a partir desse gesto, mecanismos reais de informação e prevenção para que outras famílias não precisem viver a mesma dor.

Acolher os infectados. Apoiar seus familiares. Informar para prevenir. Esses três pilares sustentam mais de duas décadas de atuação ininterrupta no litoral paranaense.

23 anos em Paranaguá: uma cidade portuária que precisa olhar para essa realidade

Paranaguá não é uma cidade qualquer nesse contexto. Como um dos maiores portos do Brasil, concentra uma circulação intensa de pessoas, vulnerabilidades sociais ampliadas e uma exposição historicamente elevada ao HIV. A presença ativa da Pastoral da AIDS nesse território não é coincidência, é necessidade.

São 23 anos de vigílias, de rostos marcados pela luta, de mãos estendidas quando poucos se dispuseram a caminhar juntos. Em 2026, o desafio permanece real: há pessoas que ainda precisam esconder sua sorologia para serem amadas e respeitadas como filhas de Deus. Isso, por si só, justifica cada ano de dedicação dessa pastoral.

O Santuário como casa aberta

Quando o Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio acolhe a Vigília pelos Mortos de AIDS, ele cumpre algo que vai além da hospitalidade religiosa. Ele declara, publicamente, que a casa da Mãe não fecha as portas para nenhum filho, independentemente do diagnóstico, da história ou do silêncio que carregam.

O tema de 2026 “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, é um convite direto à comunidade: não basta ver. É preciso sentir. E quem sente, cuida.

Faça parte dessa corrente de empatia

A Pastoral da AIDS de Paranaguá caminha há 23 anos. Mas ainda há espaço,  e urgência, para mais pessoas que estejam dispostas a dar as mãos a essa causa. Seja através da oração, da presença nas vigílias, da partilha de informação ou do voluntariado direto, cada gesto conta.

Entre em contato com o Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio e descubra como fazer parte de uma missão que cuida de quem mais precisa ser visto.

pascom-assinatura

Deixe um comentário