Diácono Juan Castillo: de engenheiro ao serviço no Santuário do Rocio

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Na Jornada Mundial da Juventude 2013, JMJ, no Rio de Janeiro, um venezuelano de 33 anos tomou um microfone, ao final de uma palestra e diante de centenas de pessoas ele anunciou que abriria mão de tudo para entrar no seminário. Engenheiro de Telecomunicações, com casa, carro e carreira, Juan Castillo ouviu as palavras “Não tenhais medo” de um bispo costarriquenho. Levantou-se e não mais voltou atrás. No dia 8 de agosto, o diácono Juan Castillo foi ordenado no Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Curitiba. Ali, ele inicia seu serviço à comunidade.

“Eu senti o chamado desde criança, quando fiz a primeira comunhão, nos preparativos e no dia mesmo, senti senti que estava me casando com Deus e a Igreja, mas por conta da realidade de pobreza de minha família, me dedique aos estudos e entrei na faculdade aos 15 anos de idade, me formei aos 19 anos […]”

Da favela de Caracas à engenharia

Juan Castillo cresceu numa favela de Caracas, Venezuela, território marcado pela pobreza e controlado por grupos armados. Sua paróquia, Assunção de Nossa Senhora, funcionava num dos lugares onde poucos padres queriam trabalhar, dada a insegurança e a baixa arrecadação. Foi nesse ambiente que a semente da fé foi plantada, regada pela oração perseverante de sua avó. Determinado a mudar sua realidade pela educação, Juan entrou na faculdade aos 15 anos e se formou aos 19 em Engenharia de Telecomunicações. Nos anos seguintes, especializou-se em outras áreas da tecnologia e construiu uma carreira sólida. Por um tempo, ficou longe do chamado que sentia desde criança.

A JMJ e o momento decisivo

Em 2013, Juan acompanhava um grupo de jovens da sua paróquia à Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Durante uma palestra de um bispo da Costa Rica, Dom José Francisco Ulloa Rojas, ouviu a frase que mudou sua trajetória: “Não tenhais medo.” O efeito foi imediato. Ele se levantou, pediu o microfone e anunciou publicamente que entraria no seminário com 33 anos. A decisão tinha um preço concreto: casa, carro, trabalho e um relacionamento. Juan abriu mão de tudo. Ele já sentia um chamado desde a infância. Quando fez a Primeira Eucaristia, teve a certeza de que estava se casando com Deus e a Igreja. Décadas de vida profissional não apagaram essa certeza. A JMJ a trouxe de volta com força inegável.

A família e a semente da fé

A família de Juan sempre foi religiosa, embora a rotina nem sempre permitisse a frequência à missa. O que ficou gravado nele foi o testemunho silencioso de sua avó, que rezava todas as noites sem falhar. Essa imagem simples e cotidiana plantou a convicção de que conversar com Deus era necessário. A jornada de uma vocação adulta, Juan reconhece, impõe desafios que as estruturas dos seminários nem sempre acompanham. Foi a Congregação do Santíssimo Redentor, da qual faz parte, que ofereceu os processos e o suporte para que sua vocação amadurecesse com segurança.

 Diácono Juan Castillo durante a ordenação diaconal no Santuário de Nossa Senhora do Rocio em Paranaguá

O carisma redentorista e o serviço no Rocio

Os redentoristas têm como marca fundacional o anúncio da Boa Nova aos mais pobres e abandonados. Esse chamado, fundamentado em Lucas 4,16-18, também norteou a celebração da ordenação diaconal de Juan. Para o diácono Juan Castillo, a resposta ao que significa anunciar a Copiosa Redenção a partir do Santuário do Rocio é direta e profunda: servir. O Santuário de Nossa Senhora do Rocio, padroeira do Paraná, recebe romeiros de todo o estado e do país. Muitos chegam em situação de vulnerabilidade. É exatamente nesse contexto que o carisma redentorista encontra campo fértil.

Os primeiros passos e um convite

Com poucas semanas de diaconato, Juan é o primeiro a reconhecer que ainda está aprendendo o que significa exercer esse ministério. “Vamos caminhando e veremos”, afirma, confiante na providência de Deus e na ação do Espírito Santo. Ele conta com o apoio da comunidade do Rocio, de seus superiores e confrades para crescer no serviço a cada dia. A quem carrega um chamado no coração, mas ainda hesita diante do medo ou da dúvida, o diácono Juan Castillo não oferece uma fórmula pronta. Ele simplesmente conta sua história. A de um engenheiro venezuelano que largou tudo diante de um microfone em 2013 e, anos depois, serve no maior santuário mariano do Paraná.

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