Há quem veja um reel e pense apenas em segundos de vídeo. Mas por trás de cada transição, de cada música escolhida e de cada frame que para no momento certo, existe alguém que sentiu antes de gravar. A produtora de stories e reels da PASCOM do Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá, Marianna Xavier, é essa pessoa. Nesta entrevista, ela abre os bastidores do olhar que transforma celebrações em conteúdo e conteúdo em missão.
Abaixo, um dos trabalhos produzidos, editados e entregue por Marianna Xavier.
Um Chamado Antes de um Plano
Como você chegou à equipe de comunicação do Santuário?
Entrei muito mais por chamado do que por planejamento. Sempre gostei de registrar momentos, de contar histórias através de imagens. Mas ali entendi que não era só sobre estética, era sobre missão.
Produzir conteúdo para uma instituição religiosa é diferente de produzir para outros contextos?
É completamente diferente. Quando você produz para uma instituição religiosa, não está só pensando em engajamento. Você está lidando com fé, com o sagrado, com o coração das pessoas. Existe um cuidado maior, um respeito, uma responsabilidade de transmitir algo que vá além da tela.
O que te mantém motivada nesse serviço?
O que me move é saber que, por trás de cada vídeo, pode existir alguém que precisava exatamente daquela palavra, daquela imagem. É sobre servir, mesmo sem ver quem está do outro lado.
Pauta, Intuição e o Inesperado que Vira Conteúdo
Como nasce um stories ou reel do Santuário? Existe um planejamento prévio?
Às vezes nasce de uma pauta, principalmente em datas importantes. Mas muitas vezes nasce ali, no momento, num detalhe, numa expressão, numa música que toca mais forte. É muito sensível, muito de sentir o ambiente.
Você trabalha com roteiro?
Gosto de ter uma ideia, mas não algo totalmente engessado. Prefiro captar o momento e, depois, construir a narrativa na edição. Muitas vezes, o mais bonito não estava no roteiro, estava no inesperado durante a celebração.
Quais ferramentas você utiliza na produção?
Uso bastante o celular, o CapCut para edição e, às vezes, outros aplicativos para ajustes mais finos.
O Olhar que Busca Verdade e Sabe Quando Parar
O que você busca captar durante uma celebração?
Meu olhar busca a verdade. Um gesto simples, uma lágrima, uma oração silenciosa, coisas que talvez passem despercebidas, mas que carregam muito significado. Quando eu sinto algo, sei que aquilo pode tocar alguém também.
Já decidiu não gravar algo por respeito ao momento?
Já sim. Existem momentos que são íntimos demais, sagrados demais. Nessas horas, escolho não gravar. Nem tudo precisa virar conteúdo. O respeito sempre vem antes de qualquer postagem.
Como você equilibra estar presente na celebração e, ao mesmo tempo, produzir conteúdo?
Existe uma linha muito delicada. Sempre tento ser discreta, é como estar ali, mas sem interferir. Porque antes de registrar, eu também estou vivendo aquele momento.
Edição: Ritmo, Música e a Mensagem que Precisa Chegar
Existe uma linguagem específica para o conteúdo do Santuário?
A linguagem precisa ser sensível, respeitosa e verdadeira. Não pode ser apelativa, nem superficial. Precisa transmitir paz, fé e acolhimento, sempre com muito cuidado com o que é mostrado e com como é mostrado.
Algum conteúdo te marcou de forma especial?
Tem alguns que me marcaram muito, principalmente aqueles que, quando terminei, eu mesma me emocionei assistindo. Quando toca primeiro em mim, sinto que pode tocar em outras pessoas também.
Quanto tempo leva para editar um reel ou stories?
Depende muito, mas em média algumas horas. O que mais demanda atenção é escolher os momentos certos, a música certa, o ritmo, porque tudo isso muda completamente a forma como a mensagem chega.
Impacto: Quando os Números Cedem Lugar ao que Transforma
Você acompanha as métricas dos conteúdos publicados?
Acompanho, mas não deixo que isso seja o principal. Os números ajudam a entender o que alcança mais pessoas, porém nem sempre o que tem mais alcance é o que mais transforma.
Já recebeu algum retorno que te tocou de verdade?
Já recebi mensagens de pessoas dizendo que aquele vídeo chegou num momento difícil, que trouxe paz, que fez rezar. E isso não tem preço. É ali que tudo faz sentido.
Para você, qual é o papel do Instagram na missão do Santuário?
Para mim, o Instagram é uma ponte. Uma forma de levar a presença do Santuário até quem não pode estar fisicamente ali. É uma ferramenta muito forte, se usada com verdade e com o propósito certo.
A Tela que Leva ao Sagrado
Quando o reel termina e os créditos somem, o trabalho da produtora da PASCOM já cumpriu a sua parte. Em algum lugar, alguém pausou a rolagem. Alguém respirou diferente. Alguém, talvez sem saber muito bem por quê, sentiu vontade de rezar.
É assim que a comunicação do Santuário do Rocio entende as redes sociais: não como vitrine, mas como extensão da missão. Por trás de cada stories publicado, de cada reel que emociona, há uma pessoa que colocou sensibilidade, fé e cuidado a serviço de algo que vai muito além do algoritmo. Existe escuta, oração, Igreja presente no digital.
Se algum conteúdo do Santuário já tocou o seu coração, você já fez parte dessa missão. Siga o Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio no Instagram, compartilhe os reels com quem precisa e ajude a levar essa presença mais longe. Porque às vezes, uma pessoa encontra o caminho de volta à fé através de um vídeo de trinta segundos, e isso não é pouco. É tudo.
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