O Grupo Visíveis para Cristo conduz a pastoral do povo de rua do Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio. Há anos, essa equipe de voluntários dedica as quartas-feiras à noite para alimentar, vestir e escutar quem vive nas ruas de Paranaguá. Conversamos com a coordenadora do grupo, Cláudia Santana, que assumiu a missão após seu início ao lado da fundadora Varseli. Hoje, ela segue firme à frente da pastoral, mesmo diante das dificuldades.
Como tudo começou
PASCOM: Cláudia, como surgiu o Grupo Visíveis para Cristo?
Cláudia Santana: A Varseli criou a pastoral junto com outras pessoas, e eu entrei no meio do caminho, ajudando. Cada semana, um grupo se comprometia a preparar os lanches e sair para a distribuição. Com o tempo, porém, passei a assumir mais responsabilidades. Há cerca de um ano, a Varseli me pediu que eu tomasse a direção. Isso porque ela estava envolvida em outras pastorais e não estava dando conta.

PASCOM: E como o grupo conseguiu sustentar o trabalho nesse período?
Cláudia Santana: Recebemos uma doação de oito mil reais, proveniente da Feira da Partilha, da qual faço parte como tesoureira voluntária. Como a feira teve uma sobra de recursos, a direção decidiu distribuir o valor entre as entidades participantes. Assim, conseguimos dar continuidade à missão por um ano inteiro, de abril até abril, com prestação de contas mensal para todo o grupo.
O que o grupo oferece
Toda quarta-feira, às 19h30, os voluntários se reuniam no estacionamento do edifício Ilha do Mel para preparar os lanches. Em seguida, saíam para a distribuição. Os integrantes organizavam a escala semanalmente, e cada um tinha uma função. Alguém fazia o café, outro preparava os lanches, e os demais cuidavam das compras necessárias.
Além da alimentação, o grupo também arrecadava roupas e calçados, muito pedidos pela população de rua. No inverno passado, por exemplo, a pastoral adquiriu mil mantas, além de meias e toucas. O grupo também preparou kits de Natal e de Páscoa e doou cestas básicas à Fazenda Esperança. A instituição acolheu dois moradores de rua interessados em deixar o convívio com as drogas. Além disso, a pastoral providenciou um kit de maternidade para uma gestante em situação de rua, com apoio da Casa da Amizade do Instituto Palazolo.
Cláudia Santana: O que estava dentro da nossa possibilidade, a gente ajudava.
Os desafios de um trabalho que o poder público não abraça
PASCOM: Quais são as maiores dificuldades enfrentadas pelo grupo?
Cláudia Santana: A falta de assistência social da cidade é enorme. Por exemplo, o Centro POP costumava acolher as pessoas durante a noite, mas fechou antes mesmo de terminar o inverno. Com isso, todos voltaram para a rua. A gente pedia para manterem o acolhimento até passar o frio, mas o poder público deixa muito a desejar.
Cláudia relembra o caso de um homem que monitorou por um ano. Ele vivia acampado em diferentes pontos da região, até chegar próximo à Tuzicar, cuja proprietária, sensibilizada, procurou o grupo. Juntas, elas buscaram ajuda no Centro POP, na Assistência Social e na Secretaria de Saúde, mas sem sucesso. Por fim, uma assistente social aceitou avaliar o caso, que envolve questões psíquicas e não uso de drogas.

Cláudia Santana: Eu tenho certeza de que ele está sob proteção divina, porque sobreviver todo esse tempo, naquela situação, só pode ser obra de Deus.
Mais do que alimento, um olhar de dignidade
PASCOM: O que representa esse trabalho para quem vive na rua?
Cláudia Santana: A gente sabe que não vai conseguir resolver tudo, mas tenta amenizar a dor deles no dia a dia. Como eles mesmos dizem, o simples fato de a gente chegar, sentar e conversar já faz com que se sintam visíveis perante a sociedade. Por isso, a gente alimenta o corpo, lê para eles e orienta. Muitos, inclusive, pedem para a gente rezar por eles. Então esse também é o nosso trabalho.
Atualmente, o grupo reúne 25 membros, mas apenas cinco estão ativos. Diante disso, a equipe decidiu manter ao menos um encontro mensal. Dessa forma, seguem levando lanches, roupas e conversa a quem precisa, na esperança de que novos voluntários se juntem à causa.
Cláudia Santana: Simplesmente dizer que quer participar e não se envolver ativamente não resolve nada para nós. Por isso, quem tiver interesse real pode me procurar através do grupo ou da Varseli, que está mais atuante no santuário. Estamos abertos, e toda ajuda que vier será bem-vinda.

Quer fazer parte dessa missão?
O Grupo Visíveis para Cristo abre as portas para quem deseja se envolver de verdade com o povo em situação de rua de Paranaguá. Se você sente o chamado para servir, entre em contato com a PASCOM do Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio. Assim, você descobre como colaborar com essa pastoral que transforma vidas, um lanche, uma escuta e uma oração de cada vez.

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Trabalho abençoado, 🙏🏻💐