Dom Paulo Romão chegou se sentindo em casa, e um ano depois já percorreu a Serra, o litoral e as ilhas da diocese

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Há doze meses, chegar à Diocese de Paranaguá significava trocar a Baía de Guanabara pela Baía de Paranaguá, e mais de quarenta anos vividos no Rio de Janeiro por estradas de serra, barcos até as ilhas e capelas ribeirinhas espalhadas pelos treze municípios do litoral paranaense. No dia 26 de setembro, Dom Paulo Romão completa um ano à frente da diocese, tempo suficiente para visitar quase todas as suas realidades e para começar a desenhar as prioridades dos próximos anos.

Dom Paulo Romão: uma chegada que pareceu um retorno

Antes de ser bispo de Paranaguá, Dom Paulo Romão foi bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, cidade onde viveu boa parte da vida adulta e onde recebeu a ordenação episcopal, em 2017. Sua origem, no entanto, é paranaense: nasceu em Barra do Jacaré, na Diocese de Jacarezinho.

Por isso, ao desembarcar em Paranaguá em setembro de 2025, Dom Paulo Romão reconheceu semelhanças que encurtaram a distância entre as duas dioceses. A começar pela paisagem: assim como o Rio de Janeiro tem praias que atraem multidões no verão, o litoral paranaense apresentou uma semelhança que, segundo ele, reforçou a sensação de estar em casa. Depois, vieram as pessoas.

Dom Paulo Romão celebra missa na Diocese de Paranaguá
Dom Paulo Romão na solenidade de Corpus Christi no Santuário do Rocio em 2026.

“Ir para onde o povo está”: o que a frase significa na prática

Na posse, Dom Paulo Romão afirmou que queria ir para onde o povo está. Doze meses depois, essa frase resume boa parte da rotina do bispo: visitas à região Serra, ao setor Paranaguá-Marumbi e às comunidades das ilhas, que, segundo ele, “não são poucas”.

Mais do que geografia, porém, a frase carrega um sentido pastoral que Dom Paulo Romão explica em detalhe:

Ou seja, as visitas não têm apenas função administrativa. Para o bispo, encontrar cada comunidade de perto é também uma forma de reafirmar a fé de quem já a vive e de reforçar sua função de pai espiritual da diocese.

As comunidades que mais marcaram o primeiro ano

Entre todos os encontros, os mais intensos aconteceram nas comunidades rurais de Cerro Azul e Doutor Ulysses, além das comunidades ribeirinhas. A explicação está na própria biografia do bispo, que viveu a adolescência na zona rural do município de Bandeirantes, Paraná, onde a fé em comunidade determinou toda a sua vocação.

Para Dom Paulo Romão, reencontrar esse tipo de comunidade em Paranaguá tem um peso quase autobiográfico:

Prioridades pastorais e o vínculo com os padres

Questionado sobre a maior riqueza espiritual que encontrou na diocese, Dom Paulo Romão não hesita: depois de Jesus Cristo como centro da fé do povo católico de Paranaguá, ele credita boa parte dessa riqueza à devoção a Nossa Senhora do Rosário e a Nossa Senhora do Rocio, padroeira de todo o Paraná.

No campo prático, mais do que decisões pontuais, o bispo priorizou encontros: com a juventude presente nas várias realidades da diocese e com os coordenadores de pastoral dos diferentes setores. Também tratou de estreitar a relação com o clero, promessa feita ainda na posse, quando disse que trataria os padres como co-pastores.

Dom Paulo Romão discursa em encontro pastoral na Diocese de Paranaguá
Dom Paulo Romão em palestra no 3º Encontro Diocesano da Pascom.

Visitas pastorais e o compromisso com o segundo ano

Uma visita pastoral já realizada à Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Campina Grande, ficou especialmente marcada na memória do bispo. Outra está prevista ainda para este ano e, a partir de 2027, ele pretende fazer ao menos três visitas pastorais anuais.

Nem tudo o que Dom Paulo Romão planejou para o primeiro ano, porém, coube nos doze meses. Um dos compromissos que carrega para o segundo ano é ampliar o Encontro de Casais com Cristo, movimento que, na avaliação do bispo, ajuda casais a viver a fé em conjunto e a educar os filhos no caminho cristão.

O litoral que pede presença: pesca, quilombolas e turismo sazonal

O desafio pastoral ganha outra camada diante das particularidades sociais do litoral paranaense: pesca artesanal, comunidades quilombolas, populações insulares e um turismo sazonal que multiplica a população em determinadas épocas do ano. Para Dom Paulo Romão, a resposta da Igreja passa por presença constante:

Dom Paulo Romão visita comunidade ribeirinha do litoral do Paraná
Dom Paulo Alves Romão, em março de 2026, na Paróquia de Sant’Ana de Matinhos.

O papel dos leigos

Essa presença, segundo o bispo, depende diretamente dos leigos, que sustentam o dia a dia das paróquias muito além das celebrações. Em uma das respostas mais diretas da entrevista, ele resume o papel deles sem meias palavras:

Por isso, para os próximos anos, Dom Paulo Romão espera que os leigos sejam ajudados a se tornar testemunhas de fé também fora da igreja, na família, no trabalho e no bairro.

Nossa Senhora do Rocio e a fé que atravessa o litoral

Se há um fio que une a biografia de Dom Paulo Romão à diocese que hoje pastoreia, esse fio tem nome de mulher. Muito antes de chegar a Paranaguá, ainda discernindo o chamado ao sacerdócio, o bispo recorreu à devoção mariana para confirmar a vocação:

Dom Paulo Romão em oração no Santuário de Nossa Senhora do Rocio
Dom Paulo Romão exibe o manto e Nossa Senhora do Rocio com o brasão episcopal.

É esse mesmo princípio, afinal, que orienta a forma como ele pastoreia o povo do litoral: ser o primeiro a viver com autenticidade a vocação de bispo, para confirmar a fé do povo de Deus da diocese, e depois, junto ao clero, acompanhar as pastorais e animar seus membros a serem mais missionários na paróquia, na família e no trabalho. Um ano depois da posse, essa segue sendo a bússola de Dom Paulo Romão para o litoral do Paraná.

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